Angelita Borges




APLICATIVO DEFENDE A APRENDIZAGEM DE DISLÉXICOS


Por Angelita Borges, RU 1114577

Polo – Cidade Santa Cruz do Sul / RS

Data 17/08/2017




 Fonte: Página oficial do aplicativo Arqueiro Defensor no Google Play


Desenvolvido em 2012 por alunos de Computação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o aplicativo Arqueiro Defensor é voltado para pessoas com dislexia e está disponível gratuitamente para Android no Google Play. O jogo, inspirado em Angry Birds, mantém a atenção do jogador, que precisa defender seu castelo atirando flechas nos invasores. Quando ele acerta um inimigo, o aplicativo diz uma palavra que deve ser digitada. Se a palavra for soletrada corretamente, o inimigo é completamente paralisado. Criado por Camila Matias Morais e Samuel Flavio Barroso Sousa, com a participação de Victor Gonçalves Elias, o aplicativo concorreu a um prêmio oferecido pelo Instituto ABCD, organização não governamental voltada a pessoas com dislexia e outras dificuldades de aprendizagem, e ficou em segundo lugar.


Mônica Cristina Andrade Weinstein, diretora-presidente do Instituto, afirma em entrevista para o G1 que o concurso "surgiu da constatação de que existem pouquíssimos recursos de tecnologia em língua portuguesa para quem tem dislexia". Já Camila, uma das desenvolvedoras, reassalta que o grupo queria “algo que focasse o aluno, para que ele continuasse insistindo. Como o público tem dificuldade de aprendizagem, quisemos mexer com todos os sentidos dele". Daí surgiu a ideia de atirar as flechas, como um fator de motivação.


Usado nas aulas de língua portuguesa do 6º ano do ensino fundamental, o aplicativo tem trazido bons resultados para a turma da professora Maria dos Santos, de uma escola pública no interior do Rio Grande do Sul. Por ser divertido, os estudantes se sentem motivados a passar de nível e explorar os novos desafios. Como o jogo traz palavras com grafia parecida, mas diferente orientação espacial (como as letras “u” e “n”, “m” e “w”), a professora já consegue observar avanços significativos na escrita de seus alunos disléxicos. “Eles já não se confudem tanto”, diz Maria. “Já consigo ler com mais facilidade”, relata uma das alunas da turma. No entanto, a professora diz que mais níveis de dificuldade poderiam ser adicionados ao aplicativo, ampliando assim o número de pessoas que podem ser beneficiadas pela tecnologia. O recurso normalmente é utilizado no início da aula, como um aquecimento para as atividades do dia. “Nós discutimos as palavras que aparecem na tela. Eu peço para que alguém as escreva no quadro e, a partir disso, elucidamos o significado e construímos oralmente alguns exemplos de uso e aplicação”, diz a professora. “Depois, eu peço para que eles registrem no caderno uma frase com uma daquelas palavras, conforme a preferência deles. Tem ajudado até mesmo aqueles que não possuem dislexia”, relata a professora. A partir do aplicativo, a professora também faz exercícios de soletração e de rimas.


DISLEXIA


De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), a dislexia do desenvolvimento “é considerada um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração”. Os principais sinais na fase da pré-escola são dificuldade para aprender rimas e canções, fraco desenvolvimento da atividade motora, dispersão e atraso do desenvolvimento da fala e da linguagem. Já na idade escolar, pode-se perceber a dislexia por meio da dificuldade na aquisição e automação da leitura e da escrita, desorganização geral, constante perda de seus pertences, confusão para nomear entre esquerda e direita, desatenção e dispersão, dificuldade na coordenação motora fina e/ou grossa, além de pobre conhecimento de rima e aliteração, bem como vocabulário empobrecido. O diagnóstico deve ser realizado por um profissional.



REFERÊNCIAS


ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA. O que é dislexia? Disponível em: <http://www.dislexia. org.br/o-que-e-dislexia/>. Acesso em: 17 ago. 2017


MORENO, Ana Carolina. Alunos do ITA criam aplicativos para ajudar crianças que sofrem de dislexia. Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/noticia/2012/10/alunos-do-ita-criam-aplicati vos-para-ajudar-criancas-que-sofrem-de-dislexia.html>. Acesso em: 17 ago. 2017


OMO. Atividades para crianças disléxicas: 4 jogos incríveis. Disponível em: <https://www.omo. com/br/se-sujar-faz-bem/dicas-para-pais/atividades-para-criancas-dislexicas-4-jogos-incriveis.html>. Acesso em: 17 ago. 2017


GOOGLE PLAY. Arqueiro Defensor. Disponível em: <https://play.google.com/store/apps/details?id= com.itabits.CamillaLagPomba>. Acesso em: 17 ago. 2017

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